domingo, 4 de dezembro de 2016

O rompimento do Contrato Social no Brasil pode nos levar à barbárie?

Por Fernando Castilho






A partir do momento em que o Estado se desfaz de suas obrigações que lhe são precípuas desde a “assinatura” do Contrato Social, ele deixa de cumpri-las de maneira unilateral.Começa a existir, portanto, o risco da volta à barbárie.
E já começamos a observar os indícios aqui e ali.

O filósofo Thomas Hobbes (além dele, John Locke e Jean Jacques Rousseau) nos ensina que quando o homem (homo sapiens), que vinha de um estado de natureza, começou a tomar posse de pequenos pedaços de terra para se tornar agricultor, passando, portanto a ser sedentário, atraiu para si indignação, ódio e cobiça.

Os seres humanos, até então, eram caçadores-coletores, portanto, não viam nenhum sentido em uma pessoa cercar um pedaço de terra e assumir ser seu proprietário. A Terra era de todos os seres vivos.

A partir daí, uma série de conflitos passou a existir entre os homens, já que não havia o direito à propriedade.

Alguém se aproximava e roubava um tubérculo, uma hortaliça ou até mesmo um pequeno animal que o outro possuía.

A resposta era violenta e desproporcional. Matava-se por algumas batatas roubadas.
Aquele que era o mais forte ou mais esperto prevalecia sobre o mais fraco, dando início ao que Hobbes chama de guerra de todos contra todos.

Foi preciso que os seres humanos buscassem segurança.

Mas quem poderia garantir isso?

Somente um Estado. Um Estado forte que produzisse leis e as executasse punindo os infratores.

Só assim, os seres humanos poderiam se sentir mais seguros e dormir em relativa paz.
Estava criado o Leviatã, como Hobbes chamou o Estado.

Não defenderei aqui Estados totalitários, ok?

A esta relação Estado-seres humanos, foi dado o nome de Contrato Social.
Eu pago um imposto a um rei e ele me garante a segurança.

O Estado evoluiu com o tempo.

Agora não é mais só a segurança que o Estado tem que garantir aos homens, mas sim também moradia, alimentação, saúde, educação, enfim Direitos Humanos.

Os seres humanos, através do Contrato Social, pagam seus impostos e recebem do Estado os Direitos Humanos. Ótimo. Perfeito, não?

No Brasil o cumprimento do contrato pelo Estado sempre foi deficiente, porém, apesar de ruins, a Saúde e a Educação públicas existem.

O programa de construção de moradias para a população de baixa renda, Minca Casa Minha Vida também vem dando uma resposta do Estado ao deficit de habitações.

Políticas de transferência de renda como o Bolsa Família, garantem a famílias de baixíssima renda uma complementação para que possam se alimentar um pouco melhor.

A promoção de 35 milhões de pessoas que saíram da miséria contribuiu, embora não se divulgue, à diminuição da violência, uma vez que, pessoas melhor alimentadas tendem a não procurar outros meios de complementação de renda.

Na última década, portanto, pode-se dizer que o Estado brasileiro, apesar de muitas falhas e muitos problemas, procurou cumprir o contrato Social.

Antes desse período, o neoliberalismo vinha destroçando o país com privatizações extremamente danosas ao país.

É este mesmo neoliberalismo que agora volta com força total.

Neoliberalismo, por definição, é um sistema econômico que transforma o Estado em estado mínimo.

Já dá pra perceber.

A partir do momento em que o Estado se desfaz de suas obrigações que lhe são precípuas desde a “assinatura” do Contrato Social, ele deixa de cumpri-las de maneira unilateral.

Quando a classe média e a elite brasileiras adquirem imóveis em condomínios fechados, pagando altos preços por segurança privada, livram o Estado de sua obrigação de lhes garantir segurança;

Quando essas mesmas classes colocam seus filhos em colégios particulares e pagam planos de saúde, também liberam o Estado de suas obrigações.

Essas classes, portanto, não percebem que elas mesmas descumprem o Contrato Social e só perdem com isso pois têm que gastar mais dinheiro.

O Estado, por sua vez, ao propor privatizar serviços que deveriam ser prestados por eles aos cidadãos, também rompem o Contrato.

Vivemos no Brasil um processo atroz de destruição de um pacto de convivência acordado há milênios.

O neoliberalismo não deu certo em nenhum país do mundo, ao contrário, está afundando as economias da Europa.

Foi a sanha de voltar a tentar implantar o neoliberalismo que mandou no Brasil durante o governo FHC que fez com que um grande consórcio comandado pelos Estados Unidos, como muito bem foi denunciado pelo grande cientista político, Moniz Bandeira, armasse e conduzisse o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, presidiu as sessões do Senado que consagraram o impeachment à presidenta Dilma Rousseff, sem que restasse provado crime de responsabilidade, ficou claramente demonstrado que o órgão que tem a responsabilidade de garantir que a Constituição seja respeitada, prevaricou. O ministro haverá de entrar para a História.

Uma vez derrubada a presidenta, a grande pedra no sapato do projeto neoliberalista, um títere seria alçado ao poder com mandato provisório, com prazo de validade curto. Michel Temer.

Uma vez rasgada a Constituição, todo o arcabouço legal passa a ser desrespeitado. O juiz de 1ª instância de Curitiba foi um dos primeiros a desrespeitar a Constituição e o Código Penal Brasileiro ao manter empresários em prisão preventiva por mais de um ano, quando eles não poderiam ser mantidos por mais de 10 dias! A razão dessas prisões é óbvia. Eles, habituados à uma vida de conforto, ficam privados de quase tudo.

Certamente, uma hora hão de delatar até a mãe para fugir de seu “inferno”. A isto se chama coação.

Moro ao conduzir coercitivamente Lula para um depoimento feriu gravemente a Lei pois o ex-presidente teria que ser intimado e, caso não comparecesse, aí sim, teria que ser conduzido.

O juiz ainda deixou vazar as conversas telefônicas entre Dilma e Lula, procedimento totalmente irregular.

Agora, Moro e os procuradores da Lava Jato querem adquirir poderes acima da Lei.
Abuso de autoridade é crime e tem que ser passível de pena.

Enfim, depois de rasgada a Constituição, rasga-se também o contrato Social entre o Estado e os brasileiros.

É por isso que esses juízes e procuradores já começam a lutar.

É guerra de todos contra todos e a barbárie lentamente voltando a ser instaurada.

O fato de uma manifestação ser convocada para dar apoio às medidas antidemocráticas e autoritárias de Moro e dos procuradores têm significado muito maior do que conseguimos captar no momento.

Trata-se da volta do fascismo e impossibilidade de convivermos civilizadamente com nossas diferenças.

Rolará muito sangue ainda.

É inevitável. Tudo conduz a isto.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Brasil rasga o Contrato Social

Por Fernando Castilho


As pessoas comuns ainda não perceberam o estrago causado ao Brasil pela insensatez e inconsequência de quem saiu às ruas e foi usado pelos bandoleiros que agora mandam no país e querem se livrar da cadeia e prosseguir na sua sanha de tomar a res publica para si próprios.


Quando a Democracia e a Constituição foram aviltadas durante o golpe contra Dilma, eu e muitos aqui alertamos que uma vez que um boi passou, uma boiada inteira iria querer passar também.

É o que estamos vivendo neste momento.

As instituições emperraram totalmente.

Já não há mais a referência da Carta Magna a ser seguida.

Sem ela, juízes e procuradores se sentem no direito de arbitrar.

É por isso que Moro e Dallagnol estão chantageando o Congresso exigindo poder para descumprir leis em momentos que lhes sejam convenientes.

Juízes, pela sua origem, são pessoas que TÊM o dever de seguir estritamente o que diz a Constituição e o Código Penal, NÃO PODENDO, de forma alguma ultrapassar seus limites, o que seria uma ilegalidade.

Neste sentido, magistrados, homens da lei, querem poder ser bandidos quando lhes aprouver.
Absurdo maior nunca vi na vida.

A grande maioria dos congressistas brasileiros não merece nem cumprir o papel de cocô do cavalo do bandido, mas neste aspecto, apesar da motivação de se blindarem da Operação lava Jato, eles estão certos.

Moro e os procuradores têm plena condição de seguir com a Lava Jato dentro da lei e oficializar as delações premiadas da Odebrecht, que certamente vão derrubar pelo menos um terço dos bandidos do Congresso e atingirão também Temer e seus asseclas.

Mas como tudo foi posto de pernas pro ar desde o golpe, não há como ter segurança de mais nada.

O Contrato Social que nos tirou da barbárie no passado foi rasgado e agora será guerra de todos contra todos, como diria Hobbes.

As pessoas comuns ainda não perceberam o estrago causado ao Brasil pela insensatez e inconsequência de quem saiu às ruas e foi usado pelos bandoleiros que agora mandam no país e querem se livrar da cadeia e prosseguir na sua sanha de tomar a res publica para si próprios.


Nunca pensei que viveria algo tão terrível assim.

Qual é a minha Lava Jato do coração?

Por Fernando Castilho




A Operação Lava Jato poderia ser um ganho imenso ao Brasil. Porém, da maneira como está sendo conduzida, ao final, o saldo poderá ser mais negativo que positivo.

Sou inteiramente a favor da Lava Jato desde que:

1 - Seja imparcial, convocando TODOS os citados em delações premiadas, independentemente de partidos políticos para depor.

2 - Se atenha estritamente ao cumprimento das leis, não procedendo à gravações de áudio desautorizadas, não exigindo conduções coercitivas sem os fundamentos legais e não mantendo suspeitos em prisão temporária por mais de dez dias.

3 - Puna os presidentes e diretores de empresas corruptas mas não impeça as empresas de continuar existindo, sob pena de destruí-las causando enorme desemprego e facilitando que empresas estrangeiras se lhes ocupe o espaço.

4 - Deixe de utilizar a mídia para vazamentos de conteúdos mantidos sob sigilo de Justiça, segundo conveniências de preferências político-partidárias de juízes e procuradores.

5 - Revele ao Congresso e ao povo brasileiros a relação entre a operação e os Estados Unidos, sob pena de desconfiança de espionagem e traição.

6 - Faça acordos de delações mais proporcionais e justos. Delatores como Alberto Youssef e Paulo Roberto da Costa, pegaram penas mínimas e as cumprirão em muito cômoda situação. Isto causa desconforto na população, que quer ver bandidos de colarinho branco cumprindo penas de verdade e não de mentirinha.

7 - Quando o juiz errar, como no caso dos dois diretores de uma das empreiteiras envolvidas, quando Moro condenou um deles à pena de prisão por 11 anos e depois um desembargador em 2ª instância o inocentou, venha a público inocentá-lo. Um desses diretores teve sua vida pessoal e profissional destruída devido ao erro do juiz Moro, que não pediu desculpas.

8 - Os juízes e procuradores parem de se considerar acima das leis. Ninguém pode ser.


9 – Seja totalmente transparente. Que se crie um Portal da Transparência da Lava Jato.

sábado, 26 de novembro de 2016

Brindemos a Fidel com cuba libre!

Por Fernando Castilho





Fidel faleceu.
Não nos entristeçamos pois a vida não passou por ele mas ele passou pela vida.
Fidel fez de sua vida um aríete contra a ditadura sanguinária de Fulgêncio Batista na época em que Cuba era apenas um quintal dos Estados Unidos.

A Revolução mudou totalmente a vida do povo cubano.

Não pensem que foi fácil.

O povo cubano, mesmo Cuba sendo uma pequeníssima ilha, mesmo com embargo econômico mundial, possui saúde e educação de primeiro mundo e um Índice de Desenvolvimento Humano (67), acima do Brasil (75).

Alguns se apegarão aos carros antigos de Havana. Me poupem.
O fato é que Fidel, mesmo tendo levado uma vida extremamente
sacrificada durante as guerrilhas em Sierra Maestra e mesmo depois para consolidar o regime, conseguiu chegar aos 90 anos, mesmo tendo sobrevivido a 638 atentados cometidos pelos Estados Unidos!

Portanto, neste dia, temos é que comemorar a vida deste grande líder latino e não lamentar.

A bebida apropriada talvez seja a Cuba Libre, que encaro como uma espécie de deboche já que leva rum cubano, coca-cola (símbolo do capitalismo derrotado em Cuba), gelo e limão.

Comemoremos, pois!

domingo, 20 de novembro de 2016

Por que os governos neoliberais gostam tanto do desemprego?

Por Fernando Castilho






Alto índice de desemprego significa trabalhador com medo de ser demitido, portanto, torna-se muito difícil para os sindicatos organizarem greves, protestos ou manifestações por melhores salários e condições de trabalho. Ou seja, é neste contexto que os empregadores podem aumentar a exploração sobre o trabalhador.


Percebam que quando a mídia fala em aumento do desemprego, é só uma retórica visando fritar governos.

A mídia nunca está preocupada com aumento de desemprego.

Assim como os governos neoliberais.

O desemprego é um dos motores do capitalismo, portanto, do neo-liberalismo.

Quando o indivíduo está desempregado, fica muito difícil ele se organizar em movimentos ou sindicatos para reivindicar.

Alto índice de desemprego significa trabalhador com medo de ser demitido, portanto, torna-se muito difícil para os sindicatos organizarem greves, protestos ou manifestações por melhores salários e condições de trabalho. Ou seja, é neste contexto que os empregadores podem aumentar a exploração sobre o trabalhador.

Numa situação de pleno emprego, pelo contrário, o trabalhador pode se dar ao luxo de recusar a executar tarefas que não constam de seu contrato de trabalho. Além disso, pode a qualquer momento trocar de emprego para buscar uma melhor condição de trabalho ou de salário.

Como passa a haver uma disputa entre as empresas para manter um bom funcionário, a tendência é de que os salários aumentem.

Nada disso é interessante ao capitalismo e ao neoliberalismo.

Em 2014 o Brasil praticamente chegou a uma condição de pleno emprego (4,3%) e todos nós vimos o que aconteceu.

Enquanto tínhamos motivos para comemorar, a mídia logo tratou de inventar (sim, naquela ocasião foi no início mesmo uma invenção) uma grave crise econômica cuja grande responsável era a presidenta Dilma, mesmo sendo ela reconhecida como ótima gestora.

A Fiesp, inconformada com o baixo índice de desemprego, tratou logo de financiar o golpe que iria tirar Dilma da presidência.

Pouco antes da derrubada de Dilma, os índices de desemprego voltaram a subir, mas nada comparável a Espanha, por exemplo.

Agora, com um governo usurpador e ilegítimo pós golpe, esses índices são alarmantes mas não vemos a mídia se incomodar com isso, por enquanto, tanto é que não são nem divulgados.

Fechamos agosto com 11,6%, na saída de Dilma, mas aguardamos ansiosos o índice do trimestre que fecha neste mês de novembro.

Só não sabemos se serão divulgados.

O governo Temer TEM que ser esticado até o fim do ano porque o golpe só pode ser concluído em 2017.

Explico: se o governo Temer cair em 2016, haverá eleições diretas para presidente. Lula poderá concorrer porque não foi condenado e certamente vencerá.

Se Temer cair em 2017 as eleições serão indiretas e quem votará serão os deputados federais.
Mamão com açúcar para os tucanos.


Portanto, aguardemos para 2017 as manchetes em letras garrafais sobre o “insuportável aumento do índice de desemprego que este governo incompetente não conseguiu conter”.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Paulo Freire nos ensinou mas não aprendemos

Por Fernando Castilho





''Olha, filho, não adianta. Político nunca olhou pra pobre e nunca vai olhar. Nós nascemos nessa desgraceira dessa vida e vai ser assim até o fim.''

O ano era 1989.

Lula estava em campanha para a presidência.

Eu fazia porta de fábrica na divisa com o município de Taboão da Serra.

Sentadas na calçada, em seu horário de almoço, duas operárias aparentando uns 50 anos.

Ao abordá-las, uma delas disse-me algo que nunca esqueci: ''olha, filho, não adianta. Político nunca olhou pra pobre e nunca vai olhar. Nós nascemos nessa desgraceira dessa vida e vai ser assim até o fim.''

Aquilo acabou com o meu dia.

Anos mais tarde, ao deparar-me com a obra de Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, percebi que ele repetia, com outras palavras aquilo que a operária me dissera.

Há um dogma que o capitalismo passa aos pobres de pai para filho. O de que o fato de ter nascido pobre é como um desígnio de Deus. Portanto, é natural que ele aceite sua sina.

Então, a luta pela melhoria de sua situação no mundo é inglória e ele deve aceitar este fato com resignação.

Ao ver a direita vencer as eleições com tanta força em São Paulo, vejo que a operária e Paulo Freire nunca tiveram tanta razão.

Ficamos muitos de nós, do polo progressista, nas redes sociais e nas ruas, batalhando por um futuro melhor do povo paulistano, tentando reeleger um prefeito que possa fazer mais pela cidade e seus cidadãos.

Mas este povo, ao invés de juntar-se a nós, prefere simbolicamente dar o troco no partido do prefeito, que julga ser o único corrupto do país, coisa que a mídia lhe ensinou.

Mas Paulo Freire escreveu sua obra justamente para tentar por um fim nesse determinismo. Sua obra é libertadora.

Sinto que o erro da esquerda foi o de não fazer um trabalho junto ao povo para mostrar sua força. Nós não fomos libertadores, não formamos lideranças, não fortalecemos os movimentos sociais. O resultado está aí: Votação expressiva de Dória até na Zona Norte, onde sempre fomos fortes.

Serão dois anos de Dória na prefeitura. Depois ele sai para ser governador, enquanto Alckmin sai para ser presidente. Em seu lugar, fica Bruno Covas.

Dois anos de desmonte de tudo quanto é avanço. Um retrocesso.

Dois duros anos.

E nós, do campo progressista, o que faremos?

Continuaremos na quase desanimadora tarefa de tentar botar na cabeça do pobre que...ele é pobre, e pobre não pode esperar nada de governante rico.


A não ser descaso.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Por que Gilmar Mendes está armando um teatro?

Por Fernando Castilho





A Lava Jato foi criada não para prender os corruptos do país, mas sim para obter de empreiteiros, através de longas prisões preventivas, a tão almejada delação premiada que impicharia Dilma, prenderia Lula e destruiria o PT para que este nunca mais voltasse ao poder.

Eu vou tentar explicar a ''crise'' no Judiciário conforme a leitura que faço dos fatos.

Tudo na verdade começa em junho de 2013. Inicialmente foi pelos 20 centavos mas a mídia percebeu que tinha uma oportunidade de ouro para fazer despencar a popularidade de Dilma que caiu de cerca de 60% para 30% naquele mês.

A partir daí a mídia não deu um instante sequer de sossego para a presidenta. E por isso, ela quase perdeu o pleito da reeleição.

Iniciado o novo governo, foi a vez de Aécio e Aloysio Nunes começarem a sangrar Dilma como eles prometeram. A sabotagem foi tão grande que nada mais foi aprovado no Congresso e o país começou a ficar à deriva.

A mídia novamente começou a culpar a presidenta pelo insucesso de seu novo governo e tratou de começar a construir no imaginário popular a tese de que ela e Lula teriam levado propinas da Petrobras.

Começou a Operação Lava Jato comandada por um juiz que se travestiu de delegado, algoz e carcereiro.

A Lava Jato foi criada não para prender os corruptos do país, mas sim para obter de empreiteiros, através de longas prisões preventivas, a tão almejada delação premiada que impicharia Dilma, prenderia Lula e destruiria o PT para que este nunca mais voltasse ao poder.

Sobre a presidenta, como o juiz Moro não lograsse sucesso, criou-se uma obra de ficção que o povo desconhece, chamada de pedaladas fiscais que deveriam soar como crime de responsabilidade.

Ao mesmo tempo, Moro foi atrás de cotas que a esposa de Lula comprou de um apartamento tríplex que na verdade era a junção de 3 unidades de 90 m² no Guarujá. Compra a que Dona Marisa desistiu no início do ano e que pela qual pede devolução das parcelas pagas.

Em outra frente Moro tentava incriminar Lula por ele e sua família frequentarem um sítio em Atibaia, propriedade do filho de seu compadre e companheiro antigo de lutas, Jacó Bittar e de seu sócio.

Notas fiscais de um depósito de materiais de construção davam conta de que um engenheiro de uma empreiteira investigada teria comprado alguns materiais para reforma de uma cozinha.

Numa votação absolutamente constrangedora em que todos os motivos para o impeachment de Dilma foram citados menos o crime de responsabilidade, ela foi derrotada por deputados que têm contra si inúmeros processos.

Aprovado o golpe pela Câmara, chegou a vez do Senado afastar a presidenta pelas pedaladas fiscais.

O empresário Sérgio Machado, com medo de ser preso pela Lava Jato, gravou sua conversa com o senador Romero Jucá, um dos golpistas, obtendo dele a confirmação de que era preciso impichar Dilma e colocar Temer na presidência para que a sangria da Lava Jato fosse estancada.

Estava confirmada a verdadeira razão por trás do desejo do afastamento de Dilma.

O Ministério Público Federal inocentou Dilma dos crimes de responsabilidade. Mas isto não bastou para que ela fosse reconduzida ao cargo. A acusação agora passaria a ser ''conjunto da obra'', coisa que ninguém sabe dizer do que se trata.

Não havendo como incriminar Dilma e Lula na Lava Jato, Moro passou a aos poucos soltar os empresários que todo mundo que idolatra o juiz jurava que seriam condenados e presos, pois estes começaram a citar não Dilma, não Lula e não José Dirceu (este ninguém sabe dizer porque está preso), mas sim Aécio Neves (10 vezes), Aloysio Nunes e mais recentemente, José Serra (23 milhões) e o interino Temer (10 milhões).

Ou seja, os empreiteiros não têm mais ninguém do PT para delatar. Estão delatando tucanos e peemedebistas a rodo.

É preciso acabar agora com a Lava Jato. Urgente.

O problema é que primeiro Dilma tem que ser impichada e Temer assumir em definitivo para que a operação seja extinta.

O ministro do STF Gilmar Mendes nunca antes havia se oposto aos diversos vazamentos que ocorreram. Mas bastou a revista Veja mencionar em artigo que seu cãozinho de estimação, Dias Toffoli teria sido citado como tendo interferido na Lava Jato, para que ele passasse a odiar os vazamentos e a criticar severamente Moro.

A ideia por trás de toda essa encenação é pressionar Moro (que já cumpriu seu papel e pode ser descartado como foi Joaquim Barbosa após concluído o processo do mensalão) para que este encerre a Lava Jato.

É preciso agora vender a ideia de que o Ministério Público e Moro estão fazendo tudo de maneira ilegal.

A mídia deverá ter um papel decisivo na trama. Ela manipulou as pessoas para acreditarem no MP e no Moro. Agora deverá inverter o raciocínio. Observe que ela já começou a demonstrar ''indignação'' com o fato de promotores defenderem meios ilícitos para obterem resultados.

Gilmar navega na mesma onda do PT que sempre demonstrou muito descontentamento com os vazamentos. Observo nas redes sociais que muita gente da esquerda agora tece loas a Gilmar por ele criticar Moro. Ele vai conseguindo o que quer aos poucos. É esperto.

Encerrada a Lava Jato uma anistia deverá ser votada pelo Congresso para livrar todos os envolvidos na operação (menos Dirceu e Vaccari), inclusive Eduardo Cunha que voltará à presidência da Câmara. Isto já está em fase de elaboração.

Dilma deverá voltar a Porto Alegre.

Lula ainda poderá ser preso por qualquer coisa que inventarem pois ele precisa estar fora do pleito de 2018 porque se as atuais pesquisas de opinião se confirmarem, ele será eleito novamente. E isso a plutocracia que tão bem organizou o golpe, não pode tolerar.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Destruindo 10 mentiras que te contam e que te alienam

Por Fernando Castilho





Assim é que as mentiras ou as induções de pensamento agora são publicadas em manchetes garrafais nos jornais que ficam expostos nas bancas. Sabem que as pessoas que por ali passarão as lerão mesmo sem querer e já farão uma ideia e um juízo de um texto que jamais lerão.

O Brasil se tornou um país de milhões de alienados.

Pesquisa recente confirmou que 64% da população brasileira não acredita no que a mídia lhe informa.

O motivo são as manipulações, as meias-verdades, o conteúdo selecionado e até mesmo as mentiras que mais tarde não são desmentidas.

Sendo assim, é lógico que o brasileiro cada vez menos consome informação verdadeira.

As redes sociais deveriam se tornar um contra-ponto a este estado de coisas. Em certa partida, até são, com os diversos blogs de jornalistas sérios que checam as informações antes de tecer seus comentários.

Mas a grande verdade é que os mal-intencionados de plantão se aproveitam dessa fragilidade das pessoas e divulgam mentiras descabidas e boatos sem nenhum fundamento, alguns até mesmo bizarros, que serão compartilhados à exaustão e acabarão por se tornar ''verdades''.

A grande mídia, sabedora de que as pessoas já não querem mais ler, preferindo continuar em seu ''seguro'' mundo cor-de-rosa, apelam para mensagens quase subliminares.

Assim é que as mentiras ou as induções de pensamento agora são publicadas em manchetes garrafais nos jornais que ficam expostos nas bancas. Sabem que as pessoas que por ali passarão as lerão mesmo sem querer e já farão uma ideia e um juízo de um texto que jamais lerão.

O mesmo acontece com os tele-jornais, mormente o Jornal Nacional da Rede Globo. O programa é transmitido entre duas novelas. Neste intervalo as pessoas estão entregues a afazeres domésticos, mas a mensagem de seus locutores têm ótima dicção, são claras e até carregadas de certa emoção teatral, sendo impossível que os ouvidos não as captem mesmo sem querer.

Por isso, tomei a liberdade de juntar alguns fatos consagrados como ''verdades'' e destruí-los, à luz de simples pesquisas que as pessoas, por seu estado de torpor e de alienação, não se dispõem a fazer.

1 – JOSÉ DIRCEU FOI CONDENADO NO MENSALÃO POR SER O CHEFE DA QUADRILHA QUE ASSALTOU O BRASIL!
Fato: Nada ficou provado contra Zé Dirceu. Ele foi condenado com base num instrumento criado na 2ª Grande Guerra para poder punir os comandantes militares nazistas que, de outra forma não poderiam ser condenados pois eles mesmos, por suas próprias mãos, não teriam cometido crimes de guerra. O Domínio do Fato pune alguém que, por sua posição de comando, teria necessariamente que ter conhecimento de crimes praticados.
Zé Dirceu era o sucessor lógico de Lula para a disputa da presidência em 2010 e portanto teria que ser condenado para que ficasse inelegível. Lula não teria outro nome a lançar, o que o obrigou a investir seu prestígio na candidatura de Dilma Rousseff, até então uma quase que desconhecida.

2 – A OPERAÇÃO LAVA JATO PRENDEU O TESOUREIRO DO PT, JOÃO VACCARI NETO POR RECEBER PROPINAS PARA O PARTIDO!
Fato: Vaccari foi condenado por receber doações de empreiteiras para as campanhas do PT. Essas doações foram devidamente registradas.
É impossível distinguir dinheiro advindo de propina com dinheiro legal, uma vez que ele não é marcado. Os outros partidos também receberam doações, sendo que o PSDB recebeu um montante ainda maior que o PT. O tesoureiro do PSDB jamais foi incomodado.

3 – DILMA ROUSSEFF FOI AFASTADA DO GOVERNO POR CRIME DE RESPONSABILIDADE PREVISTO NA CONSTITUIÇÃO!
Fato: Embora os crimes de responsabilidade estejam realmente previstos na Constituição e possam efetivamente serem motivo de impeachment do mandatário da Nação, foi provado que tais crimes chamados de pedaladas fiscais não aconteceram. O Ministério Público Federal já inocentou Dilma quanto a isto.
Porém, no Senado a presidenta agora responde a algo intitulado como ''conjunto da obra'', uma tese totalmente abstrata e subjetiva para tentar impedi-la de voltar.
Agora sabemos, através dos áudios vazados do senador Romero Jucá, principalmente, que o real motivo de pedido de impeachment da presidenta é o fato de que a Lava Jato estaria chegando no PSDB, PMDB e DEM. É preciso afastá-la definitivamente o mais rápido possível pois só assim, com Temer à frente do governo a operação será desmantelada.

4 – O JUIZ MORO QUER PRENDER LULA PORQUE ELE É CRIMINOSO!
Fato: Moro quer prender Lula mesmo que não haja crimes. O tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia não são de propriedade do ex-presidente e mesmo que fossem, possuir propriedades em valores coerentes com suas possibilidades não é crime.
A verdade é que Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos para a presidência em 2018 com cerca de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado em todos os cenários possíveis. E a burguesia que manda no país não pode correr o risco de ficar mais 8 anos afastada do poder.

5 – A JUSTIÇA BRASILEIRA É CEGA E PRENDERÁ TODOS OS CORRUPTOS PELA OPERAÇÃO LAVA JATO, QUE COMO O PRÓPRIO NOME DIZ, LAVARÁ TODA INIQUIDADE DA NAÇÃO, DOA A QUEM DOER!
Fato: A Operação Lava Jato, desde o começo só tinha a intenção de direcionar seu jato contra os políticos ligados ao PT. Mais ninguém.
As pessoas ficaram extasiadas ao ver que o juiz Moro prendeu executivos da Petrobras, um doleiro criminoso e poderosos de empreiteiras que praticaram corrupção na empresa, mas a verdade é que, com as delações premiadas, um a um eles estão sendo soltos e vivendo felizes em suas mansões que construíram com dinheiro público.

6 – O STF É GUARDIÃO DA CONSTITUIÇÃO E A DEFENDERÁ A QUALQUER CUSTO!
Fato: o STF, se fosse realmente guardião da Constituição já teria reconduzido a presidenta ao seu cargo, uma vez que não há crimes contra ela.
O Supremo já deveria ter afastado o juiz Moro do comando da Lava Jato pela sua parcialidade. Um homem que conduz Lula coercitivamente sem acusação nenhuma, sem riscos para a sociedade e sem intenções de fuga, ao mesmo tempo em que não consegue localizar a esposa de Eduardo Cunha que já está há dois meses aguardando sua intimação, já deveria ter sido afastado do caso.

7 – O JUIZ MORO É A GRANDE ESPERANÇA DE SE LIMPAR O BRASIL!
Fato: Como já expliquei acima, Moro é parcial mas não é só isso.
Não se pode admitir um juiz que investiga, acusa e condena. Moro não é juiz, é inquisidor.
Além disso, o juiz já afirmou que lança mão, sem nenhum problema ético, de provas obtidas por meios ilegais, o que é uma ilegalidade.

8 – DILMA ACABOU COM O BRASIL E O VICE MICHEL TEMER ESTÁ EMPENHADO EM RECUPERAR O PAÍS!
Fato: Dilma não acabou com o país. As reservas são de 300 trilhões de reais (no governo FHC elas eram 10% disso), a inflação era muito mais baixa que no tempo de FHC e a credibilidade dos investidores estrangeiros, apesar de termos algumas notas rebaixadas, continuava alta.
O que Temer está fazendo é um verdadeiro desmonte das conquistas sociais de Lula e Dilma, um verdadeiro atentado contra a população mais sofrida do país aos trabalhadores.
Acabar com o SUS e criar planos populares de saúde atende aos planos de saúde que financiaram a campanha do ministro da saúde.
Acabar com o Ciência sem Fronteiras, o Fies e outras conquistas importantes na área da Educação faz parte do plano de privatizar todo o ensino público.
Acabar com o Minha Casa Minha Vida elimina qualquer possibilidade de que o pobre venha a conseguir atingir seu sonho de ter uma casa própria.
Acabar com o Bolsa Família criará uma legião de esfomeados que, sem ter outro recursos à sobrevivência, se retirará para as cidades e inchará ainda mais as favelas e áreas de risco.
Acabar com 13° salário e férias é um tiro no trabalhador assalariado.
Aumentar a idade mínima de aposentadoria para 70 anos destrói o sonho de quem está prestes a se aposentar e gozar o pouco que lhe resta de vida.
E tudo isso, sem passar pelo crivo da população, o que daria legitimidade às propostas.

9 - VIVEMOS EM UMA DEMOCRACIA!
Fato: Ela acabou com o golpe dado em Dilma, legitimamente eleita e ilegitimamente afastada.
Além disso, o presidente interino vem adotando medidas somente utilizadas nos tempos da ditadura, tentando, por exemplo, calar a voz daqueles que protestam contra ele. 

10 – A PETROBRAS ESTÁ FALIDA! VAMOS VENDER RÁPIDO!
Fato: A Petrobras nunca esteve falida. A empresa vem batendo recordes em cima de recordes e é exatamente por isso que o governo interino quer privatizá-la. Não tem nenhum compromisso com o país.

BÔNUS
11 - LULINHA É DONO DA FRIBOI!
Ah, aí já é demais. Nem vou perder mais meu tempo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Temos que botar fogo nesse apartamento. você não acredita?

Por Fernando Castilho



Nos dias de hoje, escrevo, não sem nenhum receio pois sei que a Internet e as redes sociais possuem meios de detectar certas palavras-chave que podem comprometer o blogueiro perante este governo interino autoritário como nos tempos da ditadura.


Marx escreveu em meados de 1840, a maior verdade sobre como seria a convivência das pessoas após a Revolução Industrial.

De um lado, a burguesia que detém os meios de produção. Em número, insignificante.
De outro, o proletariado, que vende sua força de trabalho. Em número, a grande maioria.
Estas duas classes lutam entre si. São antagônicas.

O século 21 não envelheceu o pensador alemão. Ele continua atual.

Paulo Freire, marxista, afirmou que entre os oprimidos (nome que ele deu aos proletários) há uma grande maioria que, ingenuamente ou não, defende o opressor (burguês) por várias razões.

Após acompanhar a votação no Senado que colocou Dilma Rousseff no banco dos réus sem ter cometido nenhum crime, com a total anuência do presidente do Supremo, Lewandowski, observei as reações, não de meus amigos progressistas, mas sim dos outros.

Nada.

A imensa maioria da classe média brasileira joga o jogo da burguesia, como se dela fizesse parte.

É essa classe média, que Darcy Ribeiro classificou de ranzinza, que assiste calada à injustiça cometida contra Dilma e ao desmonte dos programas sociais empreendido pelo interino golpista, Michel Temer.

E é essa mesma classe média que Marilena Chauí classificou de atraso de vida, estúpida, reacionária, conservadora, ignorante, petulante, arrogante e terrorista.

A burguesia brasileira que comandou o país por 500 anos vê agora sua última chance de colocar a casa grande em ordem e, por isso, convoca sua eterna massa de manobra, a classe média e também a pobre, para fazerem o jogo sujo.

Para isso, lança mão de lacaios subservientes e populares para seu intento, como Suzana Vieira, por exemplo.

Após a derrota de Dilma, fica evidente que ela será defenestrada na votação final, a menos que algum fato novo aconteça.

O fato novo, na verdade não é novo.

Estamos constantemente vivendo uma luta de classes, como disse Marx. Nada mais antigo, portanto.

E como se vence uma luta em que nós somos 99% e os dominadores, apenas 1%?

Não é hora de contemporizar.

Não é hora de perdermos tempo refletindo sobre nossas ações.

É hora de irmos pras cabeças, como dizia meu pai.

É hora de fazer valer os 99%, ou que seja, os 54 milhões de votos.

Invadir o congresso, tirar de lá os corruptos inimigos do povo.

Nos dias de hoje, escrevo, não sem nenhum receio pois sei que a Internet e as redes sociais possuem meios de detectar certas palavras-chave que podem comprometer o blogueiro perante este governo interino autoritário como nos tempos da ditadura.

Mas arrisco a defender que temos que botar fogo nesse apartamento. Você não acredita?

A hora é agora, não espera acontecer.

Ou acabamos já com a palhaçada, ou enfrentaremos um retrocesso que nos levará de volta, pelo menos aos anos 80.

Portanto, não se trata mais de protestos aqui e ali. Precisamos de ações concretas e marcantes.


domingo, 7 de agosto de 2016

Do golpe à ditadura

Por Fernando Castilho

Charge: Simanca

Na França bastou Hollande cogitar em mudar a legislação trabalhista e o povo francês saiu às ruas e pôs fogo em carros, fechou estradas e ameaçou incendiar o país. O governo voltou atrás.
No Brasil, como a confirmar Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, o brasileiro continua conciliador e avesso aos extremismos.


Bem, gente, o espetáculo de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foi realmente muito lindo e mostrou ao mundo a enorme capacidade que os brasileiros têm de organizar, como foi com a Copa do Mundo.

A mídia, agora, não fala em outra coisa. Parece que nada mais acontece no Brasil. Só as Olimpíadas.

O grande perigo é deixar-nos inebriar pelas competições e esquecer o mundo real, perigoso e hostil.

A presidenta Dilma Rousseff está sofrendo um processo de impeachment com base em crimes de responsabilidade, devido às pedaladas fiscais. A Câmara dos Deputados já a condenou.

No Senado, enquanto as discussões ocorriam, o Ministério Público Federal inocentou Dilma dos crimes de responsabilidade fiscal.

Mas mesmo assim, o Senado vai adiante alegando agora que o impeachment será fundamentado num abstrato ''conjunto da obra''.

Dilma foi derrotada por goleada na comissão, por 14 a 5.

Não tenham dúvidas de que ela será afastada e o interino será confirmado no cargo.

Temer, já durante as Olimpíadas, vem mostrando a que veio. Muita truculência com quem leva faixas e cartazes aos estádios, contrárias a ele.

Não há lei que proíba os manifestantes, mas a lei, ora a lei, ele desrespeita.

Temer fará o desmonte do Estado.

Todos os programas sociais serão extintos.

A CLT será extinta.

O SUS será extinto.

O salário mínimo não mais será reajustado automaticamente.

A idade mínima para a aposentadoria será estendida.

A Educação será privatizada.

O Supremo não mais se posiciona sobre nada do que está acontecendo no Brasil. Os delitos contra a Constituição são flagrantes mas o STF não age, parecendo mesmo ser parceiro nas ilegalidades.

Na mesma frente, o ministro tucano Gilmar Mendes, abre processo para extinção do Partido dos Trabalhadores, o que serve muito bem à uma ditadura.

Há um ano atrás, o jornalista Paulo Nogueira e o ex-deputado Ciro Gomes garantiram ao povo brasileiro que não haveria golpe.

Nogueira já reviu sua posição mas até agora, Ciro não.

Agora não se fala mais na possibilidade de golpe. Ele já se consolidou.

Agora é hora de aceitarmos que já está tudo consolidado.

Agora é hora de passarmos a acreditar que vivemos sob uma ditadura.

Não é uma ditadura militar, mas sim, civil.

Na França bastou Hollande cogitar em mudar a legislação trabalhista e o povo francês saiu às ruas e pôs fogo em carros, fechou estradas e ameaçou incendiar o país. O governo voltou atrás.

No Brasil, como a confirmar Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, o brasileiro continua conciliador e avesso aos extremismos.


Extremismos de que precisamos urgentemente neste momento.